quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A Europa faz mal à saúde


Hoje na África grande parte da prevenção e tratamento de doenças é feita por ONGs humanitárias internacionais como Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, Médicos do Mundo entre muitas outras. A falta de planejamento, corrupção e pobreza de muitos países africanos fazem com que seus respectivos governos dependam dessas organizações para cuidarem de sua população. Muitas vezes essas ONGs são a única assistência à saúde disponíveis. A maioria dessas organizações sobrevive através de doações ao redor do mundo e, por este motivo, levam muito a sério a maneira como gastam seu dinheiro. A distribuição gratuita de remédios é grande parte dos gastos, portanto a busca por medicamentos mais baratos é fundamental.

Hoje em dia é na Índia onde são produzidos os genéricos mais baratos e eficazes do mundo. O preço de um medicamento genérico pode chegar a impressionantes 1% do valor de mercado. Em geral, se tem no mínimo uns 70% de diferença. Visto isso, dá pra compreender os benefícios de se ter o genérico para essas organizações e seus orçamentos. Essa notícia seria ótima, se não fossem pelos portos europeus.

Os medicamentos que partem da Índia para a África passam por portos e aeroportos europeus, e eles vêm sendo apreendidos por não respeitarem as leis de patente da União Européia (detalhe: os medicamentos só estão passando pela Europa, seu destino final é a África). Esta burocracia absurda resulta na interrupção do tratamento de diversas doenças graves na África. Só no caso do HIV, há cerca de 160.000 pessoas no continente que dependem exclusivamente desses remédios. Patentes são um assunto polêmico e não me atrevo a argumentar mais sem antes estudar sobre a questão a fundo. Mas de uma coisa estou certo, há algo muito errado em deixar uma burocracia portuária da União Européia matar milhares de pessoas paupérrimas e doentes no continente mais necessitado do mundo. Como se a Europa já não tivesse prejudicado o suficiente a África ao longo dos últimos séculos...

Hoje o Comissário da União européia está tentando junto ao governo Indiano interromper a fabricação de genéricos por um período de 10 anos, quando venceriam as patentes. Uma década me parece tempo demais de espera pra quem está precisando sobreviver.

Pra quem se interessar no assunto e quiser assinar embaixo (eletronicamente) uma carta-protesto elaborada pela ONG Médicos Sem Fronteiras e enviá-la ao Comissário da U.E. , acesse o link: https://action.msf.org/pt_BR/action/index/

4 comentários:

  1. Bem, para mim é claro que os investimentos em remédios ficarão iguais mesmo com a quebra de patentes. Ao contrário do que se pensa, isto iria estimular a concorrencia e trazer remédios mais rapidos.

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  2. Oi Fábio!
    A gente viaja, viaja e o mundo continua pequeno!
    Estava lendo o blog de um amigo que mora em Londres, vou passar Natal e ano novo com ele por lá. Aí vi o blog de um amigo dele, fui ver o tal blog e o último post era uma apresentação do seu!
    Que MÁXIMO esta nova etapa, hein?
    Eu e uma amiga do mestrado sempre olhamos as oportunidades de intercâmbio para lecionar na África, com esperança de conseguirmos vagas.
    Dos colonizadores aos colonizados, com as tristes sequelas que a bela Europa ainda deixa, este certamente será um período de grande crescimento profissional e humano! Parabéns!
    Bom que se eu conseguir alguma vaga por aí um dia, você poderá me ajudar, à semelhança de Paris :)
    Bjs e boa sorte!

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  3. Oi Paola! Nesse mundo cibernético as notícias se espalham rápido! Hehehe. Obrigado pela força e bom saber que você também se interessa em se emburacar na África, assim como estou prester a fazer. Boa sorte pra você também.
    Tenho contatos na Universidade de Tete no Moçambique, depois posso te passar.
    Beijos.

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  4. Eu li um texto sobre indústrias que produzem antirretrovirais, que dizia que o preço do tratamento anual para AIDS nos EUA é em torno de US$12000. A quebra de patentes pelas empresas indianas conseguiu baixar o preço do tratamento para US$350 anuais em alguns países africanos.
    Há muito para ser falado sobre esse assunto...

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